Você já passou por isto?
- Ao receber uma súbita fechada no trânsito, você xinga ou pelo menos sente vontade de enviar ao inferno a família toda do motorista agressor, e fica de mau humor boa parte do dia.
- Ao receber uma crítica do chefe, você responde na defensiva, às vezes até atacando de volta e agravando a situação.
- Você precisa viajar e por causa da viagem, seu filho chora. Você sai de casa sentindo culpa e dizendo a você mesmo que é um péssimo pai ou mãe. Você passa a viagem toda triste ou deprimido.
Algumas vezes passamos por situações que despertam fortes emoções, reagindo de maneira a não estar no total controle das consequências. Estes são apenas alguns exemplos de situações corriqueiras que podem afetar seu dia, onde não foi possível ter o domínio da situação. Mas é possível sim mudar de atitude - as escolhas que você faz, mesmo sem saber, afetam a maneira como vai se sentir nos próximos momentos.
Ao sentirmo-nos como refém da situação, sentimos também a impotência para fazer qualquer coisa para melhorar ou amenizar o problema que se apresenta. Ficamos na “defensiva”, comportamento com o qual somos todos naturalmente pré-programados, como parte do nosso instinto natural de sobrevivência. Apenas reagimos à situação, da maneira como sempre fizemos, instintivamente.
É possível superar o aspecto instintivo se buscarmos o positivo em cada situação. É fácil? Certamente não, afinal o comportamento defensivo é tão automático e repetitivo, que gera a sensação de impotência, e literalmente deixa-nos reféns da situação. Este sentimento negativo é um veneno para a mente, ele leva à certeza de que “nada que fizermos vai mudar alguma coisa”. Ficamos sem opção e portanto apenas reagimos.
Entretanto há uma luz no fim do túnel: um antídoto para este veneno é buscar o positivo por meio de um real objetivo, aquele para o qual você tem uma forte uma conexão emocional. Veja por exemplo a estória de Nelson Mandela, que ao receber pena de prisão perpétua poderia facilmente ter se tornado amargo e agressivo - o que seria esperado em uma situação destas. Como ele não tinha quase nenhum controle sobre a situação, seria um forte candidato a sentir-se refém de seu destino. O que ele teria alcançado? Provavelmente nada de construtivo. Mandela fez a escolha consciente de conectar-se com o seu maior objetivo, libertar a África do Sul do Apartheid. Mandela encarou a prisão como um treinamento e preparação para seu objetivo maior, procurou focar-se no positivo de sua dramática situação. Pergunto: quantos de nós poderíamos permanecer 26 anos em um cárcere e encarar isto com treinamento? Nelson Mandela, que veio tornar-se o primeiro presidente eleito democraticamente em seu país, foi um refém físico, mas certamente não foi refém de suas emoções negativas. Durante seu tempo de prisão ocupou o tempo preparando-se para a vida após a prisão. Todos temos emoções negativas, inclusive Mandela, entretanto ele soube transforma-las em algo maior e mais importante para ele.
Buscar um objetivo que seja realmente significativo e importante, trará forças para buscar nosso centro, nosso auto-controle. Conectar-se emocionalmente com um objetivo é um poderoso e enriquecedor mecanismo de sobrevivência, tirando os aspectos tóxicos e venenosos do processo automático da reação descontolada.
O primeiro passo é ter consciência dos nossos valores (ou seja, o que realmente é importante na sua vida) e seus objetivos. Por exemplo, posso pensar em um primeiro momento que meu objetivo é ganhar dinheiro. O que realmente importa no dinheiro? Para alguns pode ser a possibilidade de oferecer uma melhor escola aos filhos, para ficar em um exemplo. O objetivo "ganhar dinheiro" neste caso pode ser na verdade um meio para o objetivo maior, e com o qual conecto-me emocionalmente como "dar a melhor educação possível aos meus filhos". Garantir o futuro deles é algo que realmente importa para mim, portanto um valor. Se meu trabalho exige que eu faça uma longa viagem, se a viagem me ajuda a alcançar o objetivo educação dos filhos, estou fazendo uma escolha consciente, e não apenas me sentindo vitima das obrigações do trabalho. O resultado "viajar a trabalho" é igual, mas o significado agora é diferente. Se frequentes viagens estão interferindo em outros aspectos importantes, como "estar presente na vida da minha família" preciso rever minhas escolhas profissionais e planejarestrategicamente meus próximos passos. A diferença aqui é tomar o sentimento de estar mais no controle, ser o protagonista da estória da minha vida, não apenas um ator.
É possível buscar opções ao sentimento “negativo automático” e construir algo positivo em situações difíceis? Quais novos repertórios de comportamento, úteis aos seus objetivos mais importantes, você gostaria de desenvolver?
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