— Aumente a velocidade!
—
Verifique o aumento da produção!
—
Atenção para a perda, capataz!
—
Pare de matar tempo! Volte ao trabalho!
As
ordens são dadas pelo presidente, do conforto de sua sala, para os operários de
sua fábrica. Eles, sem ter muita opção, apenas obedecem, quase como se fossem
mais uma das engrenagens em meio à produção. Objetivo? Produzir mais em menos
tempo, a qualquer preço.
Esse
era o pano de fundo de um dos mais brilhantes filmes de Charles Chaplin. A
pressão por resultados nada mais era que uma forte crítica social à Revolução
Industrial, na qual homens tiveram de se adaptar às máquinas – mesmo que muitas
delas estivessem roubando seus postos de trabalho.
Mais
de 70 anos após o lançamento do filme, esse panorama mudou ou será que os
nossos tempos modernos não são muito diferentes daqueles mostrados por Chaplin?
Uma coisa é certa: as mudanças continuam revolucionando o mercado de trabalho,
exigindo que empresas e profissionais se adaptem a elas. Objetivo?
Sobrevivência.
As
pessoas e empresas precisam se alertar para a necessidade do que Darwin chamava
de adaptabilidade: quanto mais rápida for a mudança, mais rápida deverá ser
nossa adaptação. Mas o que, afinal, vem mudando no mundo dos negócios?
O
cliente não tem sempre razão – Aquela premissa antiga
da área de vendas de que “o cliente tem sempre razão” hoje deve ser contestada.
O cliente não quer que eu faça o que ele quer, e sim que eu diga o que ele deve
querer. O volume de mudanças é tão grande que a insegurança tomou conta do
mercado. Então, os vendedores precisam passar a ter uma atitude não apenas
vendedora, mas consultora. Na verdade, os vendedores têm que
se transformar em compradores para adquirir as necessidades dos clientes e
ajudá-los a resolvê-las.
Tamanho
não é documento – Antigamente, ser grande era sinônimo de
segurança dentro do mercado. Hoje é quase o contrário: quanto maior, menor é a
capacidade de adaptação. Portanto, mais vulnerável fica a empresa. Atualmente,
o tamanho da visão é mais importante que o tamanho da empresa. Tanto que
companhias pequenas, mas com visão grandiosa, acabam ultrapassando as com
grandes estruturas. É o modelo de negócio que vai determinar o sucesso ou o
fracasso das organizações.
Seu
negócio não é o que você pensa – Hoje achamos que
vendemos uma coisa, mas as pessoas compram outra. A Fedex acha que trabalha no
setor de transporte de pacotes quando, na verdade, trabalha no setor de gerar
paz de espírito para as pessoas com seu sistema de tracking. O que eu compro da
Fedex não é a entrega – porque empresas muito mais baratas fariam o mesmo
serviço –, mas a tranquilidade em me manter informado durante todo o processo.
E é isso o que as pessoas compram lá.
O
futuro não é mais dos especialistas – Passamos por uma fase em
que éramos generalistas, na qual sabíamos de tudo um pouco. Depois, passamos
pela fase dos especialistas, em que sabíamos cada vez mais de cada vez menos.
Hoje, buscam-se os chamados “nexialistas”, aqueles que não conhecem as
respostas para tudo, mas sabem aonde ir buscá-las. Esses profissionais têm uma
visão gestáltica e abrangente, mas, quando há um assunto mais específico, vão
fundo nele. Possuímos acesso a toda informação do mundo ao toque de um botão de
computador – o que permite que tenhamos uma visão genérica e, quando
necessário, possamos ir fundo em uma determinada informação.
O
bom não é inimigo do ótimo – Hoje já não precisamos buscar o ótimo
sempre, mas o suficientemente bom – esse é o conceito das empresas de sucesso.
Isso porque, num mercado competitivo em que agilidade e adaptabilidade são
fundamentais, agora se institui a noção de upgrade. O conceito de terminar e
lançar um produto mudou muito no mundo digital. Existem empresas hoje que estão
muito adaptadas a fazer upgrades em seus produtos. A Apple, por exemplo, vai
lançar um iPad que com certeza não é o que o Steve Jobs gostaria de lançar –
falta USB e uma série de coisas. Mas ele é suficientemente bom para ganhar da
concorrência.
Mudanças
nos profissionais – Todas as transformações citadas ajudaram a
mudar a forma como os profissionais veem as empresas. Os colaboradores de
repente notaram que as organizações não são fiéis a si próprias como imaginavam
e passaram então a não ser fiéis a elas na mesma proporção. Hoje, a empresa tem
que se preocupar em pagar bem o capital intelectual e o funcionário em ter
conhecimento suficiente para continuar interessando àquela empresa.
Mudanças
nos líderes – O brasileiro é o profissional mais bem
preparado no mundo para esse novo momento, tanto que estamos começando a
exportar talentos de gestão em grande quantidade. O Brasil não foi tão afetado
durante a crise mundial justamente porque somos treinados para a instabilidade.
Quando o mundo entrou num processo de redemoinho de mudanças, o executivo
brasileiro estava mais preparado que qualquer outro por estar acostumado a
trabalhar nesse regime de instabilidade, em que a intuição e a adaptabilidade
eram nossas tarefas do dia a dia. De forma geral, o gestor brasileiro
é um super-homem dentro do mundo atual dos negócios. E o mundo está valorizando
isso cada vez mais.
Mudanças
na gestão – Mas nem tudo são flores em meio a esse
“redemoinho de mudanças”. A busca das empresas por resultados em prazos cada
vez mais curtos fez com que elas colocassem no poder, no lugar dos
profissionais estratégicos, os táticos. Os táticos assumindo a frente das
organizações é algo muito ruim, pois nenhuma empresa sobrevive sem uma visão
estratégica. Ela até pode dar resultado a curto prazo, mas não tem
sobrevivência assegurada a médio e longo prazos. As pessoas não entendem que o resultado a curto prazo muitas vezes acontece em
detrimento da sobrevivência a longo prazo. Por outro lado, precisamos dar resultados
rápidos. Mas essa visão ‘curto prazista’ que tomou conta é, sem dúvida, um
enorme problema, pois pensar apenas de forma tática e não estratégica é muito
prejudicial para as empresas no futuro.
Mudanças
na equipe – Ainda hoje temos tantas pessoas preocupadas
em trabalhar em grupo que acabamos perdendo a coragem e a ousadia desses
indivíduos: Se pensarmos num país, ele não evolui apenas por disseminar
cultura, mas por nutrir seus rebeldes. Nas organizações é a mesma coisa. São
esses rebeldes – aquelas pessoas difíceis, que contestam a autoridade – que
criam diferenciais e fazem a empresa ir para frente.
A
verdade é que a maioria dos líderes não tem ideia do quanto esses rebeldes são
importantes para a organização e, na maioria dos casos, acham que essas pessoas
contaminam o ambiente organizacional e atrapalham a gestão do todo. Mas são
esses rebeldes que revolucionam tudo e acabam virando os donos das empresas. Os
mais certinhos, simpáticos e que trabalham em equipe são bons como formiga num
formigueiro – fundamentais para a organização, mas não são eles que fazem a
diferença.
Atenção!
O rebelde não é o profissional contra tudo, mas aquele que tem ênfase, faz as
coisas com paixão e acredita no impossível. São os sonhadores e idealistas. Os
agentes inovadores dentro das organizações, que estão abertos à inovação e à
quebra de paradigmas, têm um pouco desses rebeldes, mas também das pessoas
otimistas e felizes, que possuem visão e são capazes tanto de trabalhar em grupo
quanto individualmente.
Adapte-se –
Se as ordens dadas pelo presidente no filme de Chaplin e mencionadas no início
desta matéria ainda aparecem no cotidiano de sua empresa, mesmo que
timidamente, cuidado! É sinal de que você está muito aquém dos tempos modernos,
que amanhã pode já estar ultrapassado, tamanha é a velocidade das
transformações que empresas, pessoas e negócios passam todos os dias. Adapte-se
a elas! Mais que uma opção, isso é uma questão de sobrevivência.

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